segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Subscrevo inteiramente

Orçamento de Estado Natalício- por Ana Garcia Martins
29 de Novembro 2010

Há uns dias fui parada na rua por uma equipa de reportagem que queria saber se os portugueses andam a poupar nas compras de Natal, se definiram um orçamento, se recorreram ao crédito, e blá blá blá blá blá. Ora eu, mulher que tem sempre muitas coisas para dizer a respeito de tudo, fiquei contente por ter sido escolhida. Até porque este ano, e pela primeiríssima vez, estabeleci um plano de compras apertado, quase tão rígido como o Orçamento de Estado (mas ligeiramente menos escandaloso). Não sei se foi por ter ouvido a palavra crise a entrar-me pelos ouvidos à força nos últimos meses, talvez tenha sido pela bonita expressão “apertar o cinto”, o certo é que decidi que este Natal não ia haver derrapagens orçamentais, como acontece sempre. É que uma pessoa pensa que só tem de comprar meia dúzia de presentes, mas quando se vê enfiada nas lojas com o subsídio de Natal a fumegar no cartão, acha sempre boa ideia levar mais uma lembrancinha para a tia, para o porteiro e para o gato da amiga. Uma brincadeira que, no fim, se traduz em muitos e bons euros. Assim sendo, este ano fui para as lojas de listinha na mão, uma coisa pidesca e ultra controlada, mas um bom método para não começar a divagar. Analisei profundamente quem é que se portou bem ao longo do ano, e só esses nomes é que foram parar à minha lista VIP de presentes. Os restantes, temos pena, para o ano terão de rever o vosso comportamento. A verdade é que há muita gente a quem apetece dar qualquer coisa, mas não pode ser. Há que ser rígido e não embarcar em sentimentalismos, sob pena de se ter uma lista de 130 amigos, familiares e conhecidos. Bom, feita a lista, é importante definir um budget e tentar não fugir muito a isso, que a vida não está para gastos. E convém ser realista. Por muita que seja a criatividade, dificilmente se conseguirão despachar 30 presentes com 20 euros. A ideia era bonita, mas de difícil execução. A menos, claro, que esteja a pensar distribuir caramelos. Aí 20€ chegam e sobram. A parte mais penosa da tarefa é não dispersar. É conseguir não esquecer que se está em missão (a missão presentes) e não a tentar aumentar o roupeiro lá de casa. É não comprar um presente para oferecer e três para auto-consumo. Isso é que é mesmo difícil. É como levar um alcoólico em recuperação a passear numa adega. Enfim, o que eu sei é que me portei lindamente. Ainda Novembro ia a meio e já 90% dos presentes estavam comprados e embrulhados. Compras para mim? Zero. Pelo menos nesse dia. Sobre os outros já não me pronuncio.

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